Pintura e Weathering de Veículos Militares
Uma revisão de diversas técnicas - 1ª parte
- técnicas e ferramentas -
Introdução
A Militaria é uma das "facções" do Plastimodelismo que mais tem evoluído nos últimos anos. O Modelista que monta veículos militares terrestres, normalmente opta por uma construção o mais fiel possível da realidade. Como uma das características de um veículo militar terrestre é o seu desgaste e como a Internet popularizou e democratizou o acesso de todos aos bancos de fotografia de época, as opções de caracterização são quase infinitas. Pois um dos grandes atrativos da assim chamada Militaria é justamente isto: Não existem dois tanques (ou caminhões, ou carros blindados...) exatamente iguais, no mundo. Os responsáveis por esta incrível diversificação são as tripulações destes carros, que tinham um forte relacionamento com seus veículos, adaptando-os as suas próprias necessidades. E justamente a busca da reprodução desta diversidade é que fez a Militaria progredir tanto.
Este trabalho busca demonstrar algumas das técnicas que o Modelista pode lançar mão para caracterizar o seu modelo, distanciando-se do estereótipo de Montador de peças, aproximando-se mais da Arte.
O kit
Como demonstrativo deste artigo, escolhi um projeto que estou transformando a partir de um kit de resina. O modelo será a reprodução de um Carro de Combate Staghound Mk III, utilizado pelos Ingleses e Canadenses nos estágios finais da Segunda Guerra Mundial. Este veículo era uma adaptação da torreta do tanque inglês Crusader no casco do carro Staghound americano. Um ganho interessante de poder de fogo, pois o Carro evoluiu de um canhão de 37 mm para um de 75 mm.
 Staghound Mk III, com canhão de 75mm |
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 Staghound Mk III - profile |
Meu projeto seguirá o mesmo caminho construtivo do original. O casco é da Panzer Resin Models. A torreta é da Italeri e o canhão, da Tamiya. Optei por usar este projeto como "manequim" deste artigo por ser o kit uma verdadeira combinação de materiais: o casco é em resina de poliéster, as rodas e demais detalhes menores, são em resina de poliuretano. A torreta e o canhão, assim como alguns detalhes, são de plástico estireno injetados. Complementando tudo isto, existe muito scratch com plasticard e metal. Como vocês podem observar, o problema "de origem de substância" não é um empecilho na hora de se pintar ou caracterizar um veículo.
Montagem e scratch
Após receber o kit básico da PRM (Staghound Mk I), promovi algumas modificações no mesmo, para adequá-lo a versão escolhida. Reparem na torreta Italeri, do Crusader, que teve seu canhão de 6 libras original substituído pelo 75mm do Churchill, da Tamiya. Uma verdadeira colcha de retalhos.
 Staghound Mk III - peças e adaptações construtivas |
O kit apresenta um casco maciço de resina de poliéster, em que foram acrescentados bagageiros laterais assimétricos feitos em plasticard, sobre os bagageiros originais em resina de poliuretano, orgânicos ao kit. Alguns detalhes foram acrescentados, como reforços estruturais com sprue estirado e feixes feitos com fios de cobre bem finos:
 Scratch no casco - detalhes e materiais... |
Na proa do Staghound, foi removida a metralhadora do casco (este modelo não a usava, para uma maior quantidade de munição de 75 mm) e acrescentadas blindagens executadas com discos de plasticard. Também foram feitas as armações dos espelhos retrovisores (alfinete soldado) e alguns detalhes obtidos de minha caixa de sucatas. Reparem nos faróis (orgânicos do kit) e em suas armações, executadas com fio de cobre fino:
 Scratch na proa do Staghound |
O kit em visão lateral, mostrando a proteção do radiador feita em folha de alumínio (lata de refrigerante) e demais detalhes construtivos. Os jerry-cans são de minha caixa de sucatas.
 Bagageiro lateral e proteção do radiador |
Sobre os jerry-cans, aqui vai uma dica do artigo: Eu tinha dois jerry-cans antigos, com suas tiras de amarração fundidas em plástico, de aspecto não muito convincente para os padrões de hoje em dia. Como melhorar isto?
Simples!
Acrescente uma tira feita de fita crepe (colada com cianoacrilato) logo abaixo da fivela "fundida" em plástico de sua peça. Este simples detalhe dá volume e caracterização a esta peça, simulando, com custo zero, um photo-etched normalmente dispendioso e raro. Não esqueça de deixar a porção final da tira solta, como uma lingüeta. Veja como fica:
 Fita crepe abaixo da fivela "fundida" e injetada... |
Após a pintura-base, a lingüeta da alça fica até que convincente... É o que eu chamo de "pequeno-grande detalhe...”.
 Aspecto das lingüetas das tiras de amarração... |
Continuando o detalhamento, vamos melhorar os escapamentos do kit, acrescentando pequenos tubos de alumínio (casas de materiais de Bijuteria... uma verdadeira mina para modelistas...) em suas extremidades. Esta tarefa é muito facilitada pela maciez da resina de poliuretano, de que são feitos. Na colagem de materiais de diferentes características, use cianoacrilato ou epóxi.
 Tubinhos de bijuteria - escapamentos |
Como o kit é uma colagem de diversos materiais, eu, preferencialmente, gosto de imprimar o modelo antes da pintura. Esta providência iguala a cor dos diferentes materiais (o que sempre é bom...) e aumenta a aderência da tinta, principalmente em materiais mais difíceis de serem pintados, como os metais, por exemplo. No caso deste kit, usei o primmer bi-componente de poliuretano, mas pode ser qualquer primmer de boa qualidade.
 Staghound com primmer poliuretano |
Como vocês podem observar na foto acima, a cor cinza-clara do primmer facilita a aplicação de qualquer cor, além de evidenciar possíveis defeitos de montagem e de acabamento.
Pintura - algumas considerações...
Meu primeiro pensamento sobre a pintura deste veículo seria a camuflagem tipo Mickey Mouse exibida no profile que encabeça este artigo, mas como o objetivo deste artigo é demonstrar diversas técnicas, a cor muito escura não ficaria muito evidente nestas fotos, ainda mais com a resolução que devemos usar neste espaço. Portanto, optei em fazer uma pintura mais simples, lisa, no padrão Normandia 1944, com o Olive-drab como base... Mas isto não deixa de ser um desafio, pois o OD (olive-drab) é famoso por ser de difícil caracterização... Primeira camada de tinta-base. Utilizei Duco automotivo, obtido em casas de tintas pelo método de amostragem por computador. Reparem que os pneus e os escapamentos não receberam tinta, pois serão pintados de outras cores...
 Staghound - Cor-base - Olive-drab |
Um dry-run do conjunto casco-torreta, para uma visualização de como ficará o modelo:
 Dry-run da torreta |
Se você parasse nesta etapa, o resultado seria um kit com a pintura "plana", sem destaque, com aspecto de brinquedo. Mesmo sendo um objeto tridimensional, o kit não apresenta volume aos nossos olhos. A nossa visão sofre do chamado efeito-escala, em que os detalhes, por serem pequenos, não se destacam. Nesta hora, vamos lançar mão da ilusão de ótica, aumentando artificialmente a sensação de profundidade e tridimensionalidade do modelo. Esta técnica é antiga, sendo empregada pelos Mestres da Pintura com o nome de Efeito de Luz e Sombra. Em resumo, esta técnica consiste em aplicarmos um tom mais escuro nas regiões côncavas ou profundas de uma pintura e mais luz e claridade nas porções mais proeminentes ou convexas. Se isto funciona em uma tela, que é plana e bi-dimensional, imagine o efeito em uma maquete.
Portanto, devemos preparar dois tons diferentes da nossa cor-base, que é o Olive-drab: Um tom mais escuro, "fechado", que obtemos acrescentando preto ao olive-drab (algumas gotas, apenas...) e um tom mais claro e mais vivo.
Dica: Não utilize o branco para clarear o Olive-drab. Não se esqueça que o verde é obtido de uma mistura entre o amarelo e o preto. Se você acrescentar branco, o verde fica acinzentado. Use a sua cor primária clara para um tom mais claro. Neste caso, o amarelo-claro irá clarear o OD, sem alterar a tonalidade da cor base. Outro dos assim chamados "pequenos-grandes detalhes...". Os tons mais escuros chamaremos de "deep-color". Você aplica o deep-color, com aerógrafo, nas reentrâncias, bases de volumes, como alças, rebites, escotilhas, junções entre peças grandes e etc. veja as fotos abaixo:
 Técnica da Sombra e Luz - Deep color |
Esta pigmentação "diz", para nosso cérebro que ali existe ou um volume que provoca sombra ou uma fenda profunda em que a luz tem dificuldade de penetrar. Todas estas informações são traduzidas, em nossa mente, como sendo VOLUME. É a óptica compensando a escala...
 Deep-color no deck do Staghound |
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 Deep-color - proa do Staghound |
Observe que este trabalho deve ser pontual. Não exagere, pois do contrário, você terá apenas um kit escuro. Repare, na foto abaixo, que os rebites recebem
jatos de pigmento individuais, como tiros de pigmento. Não entre no full-automatic ou rajadas. Seja um sniper!
 Deep-color - torreta do Staghound |
Além de proporcionar uma sensação de tridimensionalidade, a deep-color começa a matizar a cor-base, apresentando à visão variações de cores que também são traduzidas como desgaste da cor. Como ocorre com qualquer veículo militar em uso intenso. Nada mais artificial do que se montar um Carro de Combate como se fosse um veículo de Salão do Automóvel. Só falta a presença das modelos curvilíneas apresentando o veículo... Observe as fotos abaixo:

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 Deep-color - geral |
Apenas com esta medida, seu kit já apresenta um aspecto bem melhor. Aspecto este que será realçado com o uso da próxima técnica, em contraste: a luz!
Agora, trabalharemos ao contrário do que vínhamos fazendo. Vamos dar um tratamento diferenciado às porções planas, convexas e proeminentes do kit. Usaremos o tom mais claro da cor-base, que chamaremos de high-light, ou seja, um tom acima e mais claro da cor-base do veículo. Você vai aplicar, com aerógrafo, spots ou jatos de tinta do tom mais claro nas áreas citadas, criando um belo efeito de contraste com a deep-color.Veja os exemplos abaixo:
 Técnica da Sombra e Luz - High Light |
O casco apresenta diversas opções de detalhamento por sombra-luz. A sensação final é o de diversos matizes e de tridimensionalidade:
 Casco - High Light |
Esta etapa cria aos nossos olhos uma sensação quase concreta de volume, destacando os contornos do veículo de forma bastante real, compensando o efeito escala. Outra sensação que também é transmitida pela técnica é a do uso, com o escuro parecendo tons mais sujos e manipulados. O efeito é realmente convincente.
 Casco - detalhes do High Light |
Cuidado com a torreta. Por ser menor, o uso da high-light deve ser proporcional. Uma área interessante é a convexidade da tampa da porta-treco posterior da torreta:
 Torreta - High Light |
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 Casco em geral - High Light |
Detalhando os detalhes...
Enquanto o casco e a torreta secam suas camadas de pinturas, você pode ir cuidando dos outros itens, como as rodas e os escapamentos. O sistema de rodagem já teve seus cubos pintados. Hora de se pintar os pneus. Use tinta cinza-escuro, pois um pneu preto é muito antinatural. Não complique nesta etapa: use pincel. É mais simples e os efeitos são mais do que satisfatórios. Um pincel chato, de cerdas macias e uma tinta discretamente diluída fará todo o trabalho. Mais uma vez, a capilaridade é a grande aliada, pois ao encostar uma pequena porção da cerda do pincel no aro do cubo, a fluidez da tinta faz o resto...
 Pintando pneu com pincel e tinta fluida... |
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 Rodas prontas. |
Com as rodas pintadas, só falta o escapamento para o detalhamento. e falando em detalhamento, repare nas fotos de época, como os escapamentos eram judiados, nos veículos reais. Nada de superfícies lisas ou bem acabadas. estas peças recebem um calor brutal, que normalmente resulta na perda de sua camada de tinta e, consequentemente, de sua proteção. A oxidação é uma constante destas peças, além dos amassados e danos de combate.
Não estrague seu kit pintando o escapamento de seu veículo pura e simplesmente de marrom. Proporcione uma textura oxidada à peça, além de alguns amassados e danos de combate. Neste exemplo, vamos simular textura rugosa e amassada. Os amassados, você reproduz com limas e brocas, alterando a forma do escapamento. A textura de uma oxidação violenta você consegue agregando à superfície do escapamento uma substância extremamente fina, parecida com areia, que é o Pó de Acrílico de Dentistas. Já tinha usado esta técnica com cola branca, mas os resultados ficam ainda melhores se você utilizar cola líquida. Passe, com pincel, cola líquida nos locais que você pretende simular uma oxidação pesada. Veja as fotos:
 Cola líquida e escapamento |
Não se esqueça que a presença da cola é que vai permitir a aglutinação do pó de acrílico ao plástico. Portanto, só deposite cola onde você for querer uma superfície realmente rugosa e corroída... No nosso exemplo, o silencioso e o escapamento recebem cola. A abraçadeira e o coletor de escapamento, não... Repare o "amassado" feito com lixa, na foto acima: Nesta etapa você tem que agir rápido: após colocar a cola (não exagere... a formação de gotas destrói o detalhamento...), você tem que mergulhar a peça no pó. A cola seca muito rápida.
 Cola líquida e escapamento – detalhes |
Agora, mergulhe a peça no pó...
 Preparando para mergulhar !!!! |
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 Dive !!! Dive !!! Dive !!! |
Remova o excesso "assoprando" a peça e observe os resultados. Deixe secar bem e, depois, é só pintar... O ideal é se usar uma cor vermelha-óxido, como base. Depois, o escapamento sofrerá os detalhamentos de pintura do resto do modelo...
 Escapamento com grânulos agregados |
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 Escapamento. Pintura-base com vermelho-óxido |
Decais - preparação
A aplicação dos decais em um modelo é quase que um coroamento de nosso trabalho. Antigamente, esta era a última etapa pelo qual passava o kit, em sua montagem, mas hoje, a instalação dos decais é considerada uma etapa intermediária. O decal consiste em um filme que se adere na superfície do kit por meio de um adesivo solúvel em água. Quanto mais justaposta for esta união, mais o decal parecerá uma pintura, que é o que o modelista busca representar. Um dos maiores inimigos dos decais (e consequentemente do bom acabamento de um kit...) é um acidente chamado Silvering. Em uma tradução livre, seria o "prateamento" dos decais... Mas o que vem a ser isto? O que diabos é "pratear" um decal???
Quando o decal se deposita em uma superfície, ele pode "reter" uma quantidade de micro-bolhas de ar. Ainda mais se a superfície for fosca ou irregular. A presença destas micro-bolhas promove uma refração dos raios luminosos, incidindo sobre nossos olhos como uma imagem borrada, astigmática, que "embranquece" ou "prateia" a imagem recebida pelo nosso cérebro. Isto é o famigerado Silvering. A melhor forma de se combater este defeito é conseguirmos uma superfície a mais lisa e polida possível para receber o decal. A superfície pode até ser irregular, mas deve ser lisa!
Como a maioria das tintas de modelismo são foscas, se você depositar um decal diretamente sobre a tinta fosca, obrigatoriamente acontecerá o silvering. Temos, portanto, duas opções: ou pintamos nossos kits com tintas brilhantes (como as Acrilex Acrílicas Brilhantes, nacionais...) e depois fosquearmos o modelo ou aplicamos algumas camadas de Verniz Acrílico Brilhante (ou qualquer outra substância que torne a superfície do modelo lisa, como as ceras Future americanas ou Brilho-Fácil nacional...) antes de aplicarmos o decal. Mas uma coisa é imprescindível: o local a ser aplicada a decal deve ser o MAIS LISO POSSÍVEL!
No nosso caso, como eu me utilizei de tinta Duco fosca como cor base, mais tintas esmalte para a técnica de luz e sombra (foscas), apliquei duas camadas de Verniz Acrílico Brilhante, da Acrilex. Não exagere na concentração do verniz, pois irá se formar uma película viscosa que poderá tirar o detalhamento da superfície de seu kit. É preferível a aplicação de mais camadas finas do que de apenas uma
espessa... Aplique em todas as peças do seu kit, pois a superfície lisa é um pré-requisito não só para as decais, mas para a técnica do Wash que se seguirá a esta etapa.
 Modelo com duas camadas de Verniz Acrílico Brilhante. Repare o aspecto "molhado".... |
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 Verniz Acrílico Brilhante - lado esquerdo |
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 Verniz Acrílico Brilhante - lado direito e torreta |
Nesta fase, eu já instalei as rodas no Staghound, por uma questão de opção pessoal. Você poderia instalá-las mais tardiamente ou no final da montagem... As rodas foram reforçadas com pinos feitos de fios de cobre e coladas com cianoacrilato, para promover sua estabilização e reforçadas com epóxi rápido (Araldite Hobby 10 minutos). Espere o verniz estar totalmente seco para a próxima etapa...
 Kit em suas próprias patas.... dry-run de torreta |
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 Kit completamente envernizado e seco. Repare no aspecto molhado... |
Decais - aplicação
A aplicação dos decais pode parecer uma "ciência oculta", um Mistério só dominado pelos Iniciados, mas nada mais é que uma seqüência lógica destas etapas:
1- a superfície deve estar lisa, brilhante e seca.
2- o decal deve ser aplicado com paciência e cuidado.
3- o decal deve ser conformado à superfície.
4- o decal deve ser selado!
Vamos discutir as etapas, cuidadosa e logicamente. Ao entendermos os processos que envolvem este "Mistério", este mistério não mais existirá...
1- A superfície deve estar lisa, brilhante e seca: Foi o que foi discutido acima. Ao trabalhar com tinta fosca, torne o acabamento da superfície liso... Só isso... Verniz, Future ou Brilho-Fácil dão conta desta tarefa...
2- O decal deve ser aplicado com paciência e cuidado: Nunca trabalhe sob pressão ou com pressa, nesta fase... Não se esqueça que é esta etapa que vai dar identidade ao seu modelo, na maioria das vezes. É aqui que você vai coroar e concretizar a sua pesquisa histórica... Trabalhe com método, usando materiais limpos e organizados. Pinças, tesouras, água limpa e cotonetes são essenciais. Alguns colegas recomendam a adição de uma a duas gotas de acetona na água que dilui a cola do decal. Já usei e gostei do resultado... O filme fica mais macio (mas também, mais frágil...)
3- O decal deve ser conformado à superfície: Aqui, existe um diferencial importante. Se a superfície for regular e lisa, você não precisa de nenhum outro produto. Aplique o decal, normalmente, removendo as bolhas de ar e o excesso de água com um cotonete ou um pincel macio e chato.
Mas se a superfície do kit for irregular ou apresentar sulcos (como a torreta deste Staghound), o uso de um softer é praticamente OBRIGATÓRIO. O softer ou amolecedor de decais é um produto que amolece o filme transparente do decal, permitindo a sua conformação ao modelo. Existem muitas marcas no mercado, portanto pesquise com os colegas para saber a melhor. Eu uso a Micro-sol, como a ilustrada abaixo. O Softer da Gunze também é excelente. O Micro-set, da foto abaixo, é apenas um desengordurante, que pode ser substituído por vinagre de maçã. Ele não amolece o filme, sendo o seu uso facultativo.
A seqüência de aplicação é a seguinte: aplique a decal no local desejado, situando a decal em seu lugar e removendo o excesso de água com um pincel macio ou cotonete... O softer de decais é aplicado com pincel, sobre a decal colocada na superfície do kit. Uma gota basta. Tenha certeza de que a decal esta na posição correta, pois a movimentação de um decal com o softer é extremamente arriscada, pois a decal fica muito frágil... Quando o softer age no decal, ele enruga bastante. Não se assuste... O decal volta ao normal... Esta operação pode ser repetida.
Após uma ou duas horas, o decal volta a esticar e a se adaptar à superfície do modelo. Pegue um cotonete úmido com água e remova os restos de softer que porventura continuem a existir de sobre a decal e áreas adjacentes.
Deixe secar muito bem... Verifique se o decal se adaptou à área. Como já foi dito, você pode repetir todo o processo, até que o decal se conforme perfeitamente. Não se esqueça... Vá com calma!
DETALHE IMPORTANTE: Se você usou Future para "envernizar" o seu kit, NÃO USE SOFTER!
A Future reage com o softer, esbranquiçando e alterando a decal. Se você usou a Future, continue a usar a Future como se fosse um softer para o seu decal (embora ela não amoleça o filme...). Se a superfície que você vai colocar a decal for muito irregular ou sulcada, dê preferência aos softers.
4- O decal deve ser selado! Este é um detalhe importantíssimo e que muitos modelistas esquecem ou fazem de maneira errada. O decal é extremamente frágil e deve ser protegido, seja por uma camada de VERNIZ BRILHANTE ou uma camada de FUTURE.
No caso de nosso modelo, após a secagem dos decais por duas horas, aplicamos a camada de selamento, com verniz brilhante.
Não sele o decal diretamente com verniz fosco....Faça SEMPRE uma primeira camada de verniz brilhante ou Future e ai sim, se você quiser, sele com o verniz
fosco. O decal deve ser a mortadela de um sanduíche, onde o verniz ou a Future são os pães. Observe o esquema abaixo:
Mas não use o verniz fosco agora, pois é necessário o kit estar completamente liso e brilhante para a boa execução da próxima etapa do weathering, que é o famoso WASH.
Com isto, encerramos esta primeira parte do artigo.
Na próxima parte, começaremos com as técnicas de Wash e de EPA, finalizando com o uso de pastéis e de outras técnicas. Até breve!
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