Chipping com esponja
Uma opção de weathering
- técnicas e ferramentas -
Modelismo - Uma pequena introdução:
Um veículo civil deve ter a sua pintura imaculada, brilhante e polida, na
maioria das vezes... Já um veículo militar, especialmente os de combate, apresenta
pouquíssima manutenção neste aspecto, com um visual normalmente machucado e
arranhado, de aspecto envelhecido.
O Modelismo vem evoluindo em suas técnicas de pintura, principalmente a
Militaria. Antigamente, era suficiente se montar um kit com as cores as mais
próximas do real, e pronto. Abaixo, um kit com pintura "oficial" da Tamiya-USA:
 Típico kit da década de 70 - Panzer II DAK
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Os modelos ficavam com aspectos de brinquedos, sem realismo ou
personalidade. Mas era o que se tinha como senso estético.
Nos anos 80 e 90, o modelismo passou quase que por uma revolução, com o
advento do aerógrafo e as técnicas de aerografia de pintura. Os modelos passaram
a apresentar diversos tons, com as cores realçando os volumes e as depressões.
Um dos expoentes desta fase foi François Verlinden, modelista belga que
revolucionou a pintura em escala. Os kits passaram a ser mais "encorpados", com
aspecto de volume e peso, e não mais brinquedinhos. Abaixo, um kit com este tipo
de pintura característico: Tons e sobretons das cores básicas, com o uso extenso do
dry-brush:
 Excelente pintura por aerografia e dry-brush - Panzer III DAK - Pat Johnston
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Este Panzer III, do Pat Johnston (Missing-Lynx) exemplifica um kit
soberbamente trabalhado com a técnica do Verlinden. Reparem que o ganho
qualitativo do mesmo, em relação ao trabalho anterior, é simplesmente enorme...
Não mais podemos considerar um modelo destes como um brinquedo...
Mas tudo evolui, inexoravelmente. O advento da Internet e a conseqüente
popularização dos meios de pesquisa democratizaram o acesso às imagens e
arquivos, que antes eram coisas caras e raras. A Informática deu um impulso
vigoroso ao hobby. De repente, ficou claro que os veículos não eram tão
imaculados e bem pintados como se retratava... As fotos, milhares delas
disponíveis na Rede Mundial, gritavam o contrário.
Temos, então, o advento das Técnicas de Weathering Radicais, com os
modelos apresentando lascados (chipping) e amassados em suas pinturas. Pinturas
estas com padrões de cores mais "queimados" e esmaecidos, típicos de texturas
foscas expostas ao Sol e aos elementos, com mínima manutenção. É a fase que
estamos vivendo agora, cujos expoentes são o Steve Zaloga e o Miguel Jimenez.
Esta etapa se caracteriza pelo uso dos mais variados materiais. Saímos da restrição
das chamadas tintas de modelismo, apenas. Hoje, para obter o efeito visual
desejado, o Modelismo usa técnicas da Arte Pictórica, com uso de Gizes pastéis, das
Têmperas (aquarelas), das tintas a Óleo, típicas das pinturas a quadro, além das
acrílicas e automotivas. Isto sem falar nos mais variados materiais, como o grafite
em pó, o carvão triturado, o pó de ferrugem, tudo em nome do realismo do efeito.
Observem o tanque abaixo:
 Técnica atual- Weathering e Chipping extensos - Panzer IV DAK- Mike Bishop
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Reparem no aspecto totalmente real do modelo, com todas as características de
um uso constante. É como uma somatória de todas as técnicas anteriores,
culminando no desgaste e no chipping (lascamento) do modelo. Repare na foto
ampliada abaixo, como o desgaste é evidente e realístico:
 Torreta e upper deck - Weathering e Chipping extensos - Panzer IV DAK- Mike Bishop
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Mas o objetivo deste artigo é discutirmos o Chipping através de esponja e,
depois deste preâmbulo, vamos descrever esta técnica.
Chipping ... Mas, o que Diabos, vem a ser isto ???
Chipping seria, literalmente, fazendo chips, lascas, ou melhor, LASCANDO.
Esta técnica de pintura e de weathering (envelhecimento) significa lascar a pintura.
Existem inúmeras formas de conseguirmos o efeito do chipping em uma pintura.
Umas das técnicas mais comuns é a Técnica Salina. Consiste em aplicarmos sal
sobre uma cor base, para depois promovermos o seu "descasque" por meio de um
palito.
 Aplicação de sal sobre a pintura-base- Panzer IV DAK- Panzerserra
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Excelente técnica, se caracteriza por um chipping intenso e nítido. Veja o capô
do Steyr abaixo:
 Chipping por sal - Steyr 1500 - Leo Hack
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 Chipping por pasta dental - Tiger I - Carlos Café
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Também uma excelente técnica, com desgastes de lascamento e degradação de
pintura bem evidentes.
Mas então, porque mais uma técnica de chipping?
Esta técnica é melhor ????
Não. Não é este o ponto. A razão desta técnica é que dela resulta um chipping
de dimensões menores, típicos dos pequenos "picados" e "lascados" de pintura, que
seriam cansativos de serem feitos pelas outras técnicas. Eu diria que seria uma
técnica complementar às outras, somando resultados ao nosso objetivo final, que é
envelhecer de forma convincente o nosso modelo. O Chipping por esponja é
extremamente fácil e rápido se ser feito e executado. Esta é a sua grande
vantagem. O importante é você se adaptar a técnica que mais lhe convém e mais
lhe satisfaz.
Chipping por Esponja - Técnica
O material utilizado é o seguinte:
1- Pedaços pequenos de esponja ou de espuma, de diversas texturas e granulações.
2- Pinças para a manipulação destas esponjas.
3- Tinta esmalte preto-fosco e Gun-metal ( pode ser usado, também, vermelho-óxido).
4- Uma placa de plástico ou de papel para coletar a tinta e seus excessos.
O kit que receberá o tratamento deverá estar pintado e, preferencialmente, com
as decais já instaladas. No caso de não estar ainda com as decais, estas deverão
receber uma camada de chipping posterior para se equivalerem com o restante da
caracterização do kit. Este deve estar em fase de pré-wash, ou seja, com verniz
brilhante e sem o wash e sem o weathering final.
Coloque umas gotas de tinta (no caso, preto-fosco) sobre a sua palheta de
plástico.
 Chipping por esponja - materiais
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 Diferentes granações de esponjas - chippings diferentes
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Pegue um pedaço de esponja, de mais ou menos 3 a 4 cm de lado e prenda com
a pinça esta esponja. Não use os dedos, pois os mesmos poderiam manchar a
pintura....
 Esponjas apreendidas por pinças - não use os dedos !
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Pegue uma mínima quantidade de tinta com a esponja e comprima a esponja
contra a porção limpa da palheta ou contra folhas de papel, para remover o
excesso. É o mesmo princípio do dry-brush... Poderíamos chamar de dry-sponge...
Teste a quantidade de tinta em uma folha de papel...
 Coletando a tinta e removendo o excesso por compressão...
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 Testando a quantidade de tinta...
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Feito isto, vá "carimbando" as regiões do kit que receberiam impactos de
pequenas pedras ou da manipulação excessiva... Portas, pára-lamas e pára-
choques, beirais de janelas, capô de motor, porções inferiores do veículo... Mude a
granulação das esponjas para efeitos maiores e menores. Eu uso 80% dos carimbos
em preto-fosco e os 20% restantes, uso gun-metal ou vermelho-óxido...
 Iniciando o esponjamento...
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Cuidado para não "esponjar" áreas limites, como, por exemplo, a união entre
porta e cabine. O ideal é colocar uma fita-crepe isolando a porta da cabine para o
padrão do "esponjamento" não ser simétrico entre duas áreas diferentes. Cuidado
para não exceder na tinta, se não seu veículo vai virar uma joaninha.
Use o chipping antes do fosqueamento final, para não dar um aspecto brilhante ao
lascamento. Esta técnica é como se você estivesse expondo o fundo da pintura, ou
mesmo o metal, mas este metal não seria brilhante ou polido... Por isso, não
usamos chipping por esponjamento com tinta alumínio.
 Resultados iniciais...
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Não caia na tentação de abusar demais... No exemplo acima, repare, eu não
tinha aplicado as decais.... Após a aplicação das mesmas, refiz o chipping sobre
elas...
 Decais sobre o chipping. Erro !!! O certo é chipping sobre decal... Deve ser esponjado, novamente...
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 Resultados iniciais...decais "limpas"...as decais devem ser “ chippadas”
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Você pode usar, também, óleos e acrílicos. Mas o esmalte é mais fácil de ser
trabalhado... Não é tão rápido como o acrílico nem tão lento quanto o óleo...
 Outras opções de tintas...
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Você pode e deve complementar o chipping com esponja com toques de pincel.
Detalhes que fazem a diferença...
 Acrescentando chipping maiores com pincel.
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 Detalhe do toque com o pincel. Repare as decais "chippadas"...
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Feito este detalhamento, você pode fazer o wash final e o "empoeiramento" com
aerógrafo, pois estes aspectos estariam por cima da pintura lascada...
 Kit finalizado.
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 Final
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 Traseira finalizada...
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 Resultados finais. Chipping + weathering
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 Mesma técnica-outro veículo - Mercedes L6500 - Panzerserra
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 Mercedes L6500 - Panzerserra
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Conclusão:
Esta técnica não é a melhor técnica, pois não existe a única e melhor técnica. È
apenas mais uma arma no arsenal do modelista na batalha pela busca do detalhe e
do realismo de suas réplicas. Cabe ao colega experimentar e se adaptar a esta e as
demais técnicas, buscando o prazer de poder reproduzir, em escala, uma parcela
da História, com suas próprias mãos.
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